25 de março de 2009

Futuro cinzento

Antes não fazer nada do que fazer mal. Era isto que José Sócrates deveria ouvir quando decide posar com o seu típico ar de guardião da verdade absoluta, clamando louvores ao seu governo por meter mãos à obra. Mas aquela que sai da sua boca como a única solução corresponde apenas a uma opção de escolha fácil, à custa da utilização arbitrária do dinheiro alheio entretanto coleccionado e daquele que ainda será subtraído a cada português sem que lhe seja pedida opinião. Nas contas finais, cada um de nós verá certamente um exigente fardo fiscal e uma economia cada vez mais podre e disfuncional de um Estado em perigo de rebentar de tanta obesidade, pesarem-lhes nos ombros com mais força do que os benefícios que lhes vão sendo prometidos pelas mentiras neo-keynesianas (o prefixo está na moda).

A propósito, vi há pouco uma belíssima peça jornalística na SIC onde, finalmente, se explica com relativo pormenor as consequências desastrosas impostas pela falácia dos investimentos públicos como solução para reanimar a economia. As suas consequências negativas estão já aí ao virar da esquina e prometem chegar para ficar. Enquanto se pensar que o Estado é a caixinha mágica onde se escondem todas as soluções e se insistir em não denunciar que, afinal, tem sido o primeiro de todos os males, a casa não vai ficar em ordem e o contexto para encontrar soluções inteligentes e estruturais será cada vez mais uma miragem, perdida ao fundo de uma espessa névoa cinzenta de demagogias e políticas ad-hoc e decisões tomadas por impulso de sucessivos governos incompetentes.