21 de janeiro de 2009

Libertas quæ sera tamen

Neste post, João Moreira Pinto refere algo que tenho como certeza: “a liberdade é uma marca da direita”. Liberdade essa que, segundo ele, não pode ser usada displicentemente. Percebe-se que, no seu caso, a liberdade é antes usada selectivamente – ou seja, quando e onde der jeito. Essa tendência para usar a liberdade como valor fundamental apenas em questões em que o seu envolvimento como argumento não nos comprometa o resultado final pretendido, é um pecado que diagnostico frequentemente em pessoas de direita. Porque, no fundo, mais alto que alguns valores, como o da liberdade, nos pequenos assuntos, para uma certa direita, fala mais alto a preocupação em não ceder a um tal de “experimentalismo social de esquerda” ou, simplesmente, a posições típicas – e não necessariamente exclusivas – da esquerda.

Por isso, para lá de o casamento homossexual não representar uma bomba atómica pronta a aniquilar a nossa sociedade, a questão não pode ser encarada como uma causa de esquerda a favor da qual só existem os argumentos apresentados pela esquerda. Na verdade, uma visão favorável ao casamento homossexual à direita não tem como única vantagem o mero alargamento de posições afirmativas que, por sua vez, aumenta as probabilidades de tal facto vir a ser reconhecido legalmente. A montante dessa questão, de carácter iminentemente prático, está a possibilidade de se tomar o lado do “sim” com argumentos responsáveis e palpáveis. Para lá do progressismo e do modernismo esquerdista – os tais que espalham o medo dos experimentalismos sociais, que esvaziam a questão de qualquer senso e oferecem todo o nexo a discursos mais conservadores – a defesa do alargamento do casamento a pessoas do mesmo sexo pode acontecer com uma argumentação plena de sentido num discurso responsável, toda ela construída sobre o tal terreno próprio de qualquer direita decente: a liberdade.